Ondas itapoaenses são o berço de grandes conquistas
Entre a areia quente e a água salgada, surfistas deslizam sobre as ondas. A combinação do movimento do mar junto ao corpo e uma prancha, e o respeito à natureza, resultam em um espetáculo de manobras. Em Itapoá, o surfe vem se desenvolvendo. Nos picos mais cobiçados da cidade, a cada dia surgem mais atletas no mar e os veteranos no assunto vem se destacando.
Em cidades litorâneas, o desejo pela prática esportiva normalmente começa cedo. A curiosidade e a influência de amigos são os motivos mais comuns. Mas o objetivo de curar uma bronquite alérgica transformou Caetano Vargas em um orgulho para a cidade. O paranaense começou a surfar nas águas de Itapoá aos dez anos e, desde então, não parou. Além de vencer eventos amadores, o atleta já consquistou títulos como a etapa de Maresias do WQS (World Qualifying Series) , a etapa da Ilha do Mel do circuito paranaense profissional e, recentemente, foi campeão do circuito Supersurf Internacional. Este último título resultou em um carro zero e muitas homenagens. Caetano foi contemplado pelos vereadores do munícipio com uma moção de aplausos.
Para se dedicar ainda mais ao esporte, hoje o atleta mora na praia da Joaquina, em Florianópolis, e afirma surfar no mínimo cinco vezes por semana. Caetano explica que um surfista profissional precisa ter muita dedicação, disciplina e acreditar que pode chegar onde deseja. “As coisas boas da profissão são as viagens e o aprendizado, você aprende a lidar melhor com as pessoas e conhece culturas diferentes”, conta. Dos lugares que já surfou, ele diz que as melhores ondas estão no Chile, Costa Rica e Peru.
– A ondulação itapoaense –
Apesar de não morar mais em Itapoá, Caetano comenta que a cidade tem excelentes ondas, principalmente em algumas regiões. O estudante de geografia da Universidade Federal de Santa Catarina, Rafael Brito, 19 anos, explica que cada pico tem suas características. “Na terceira pedra quebram ondas perfeitas, ótimas para manobrar, com uma sessão de tubo às vezes”, esclarece o estudante que surfa desde os dez anos. “Na primeira e na segunda pedra também quebram ondas com qualidade; na Barra do Saí as ondas quebram com mais facilidade, devido as ondulações e a direção do vento, e no Continental, as ondas são mais tubulares”. Rafael ainda conta que existem outros picos, porém não se diferem muito das ondas que quebram em mar aberto.
Porém as boas ondas não são suficientes. Os estudantes de engenharia civil, Bruno Weber e Lucas Henk, reclamam que elas não são constantes e que já houve grandes períodos sem ondas. “Não tem como um surfista se tornar profissional treinando só aqui”, acredita Lucas, 21 anos. “Já houve temporadas em que ficamos um mês sem ondas”. Para Bruno, 19 anos, que surfa em Itapoá desde os nove, a prática do esporte só é garantida uma vez por semana.
Mas mesmo com a inconstância o surfe é muito apreciado. Considerado um esporte radical, ele proporciona um grande contato com a natureza. Segundo os surfistas, a sensação de estar deslizando sobre a onda é indescritível. “É muito bom estar correndo em cima da água e estar em contato direto com a natureza” fala Caetano. Para Rafael, a sensação é de tranquilidade, paz e harmonia com a Terra. “Também tem o lado da adrenalina, que é muito bom”, explica que acontece quando você pega uma onda complicada, com um bom tamanho, ou quando acerta uma manobra nova, com um grau de dificuldade maior. “E ainda tem o tubo, que penso ser a sensação máxima do surfe, ainda mais por não quebrarem com tanta frequência nos picos em que surfo”, brinca. Já para Lucas, o surfe é como uma terapia. “Quando você entra no mar seus pensamentos são renovados”, ele fala que o esporte cansa o corpo e revigora a mente.
Fonte: Produção acadêmica de Augusta Fehrmann Gern
